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segunda-feira, 23 de março de 2009

O dia em que eu morri

Olá, meu nome é Renato Carvalho, tenho 19 anos e gostaria de compartilhar com vocês, uma experiência que eu tive a mais ou menos um ano: foi o dia em que eu morri. A historia se passa em Recife no bairro dos Aflitos.

Era uma semana como outra qualquer, em que eu ficava em casa lendo, jogando ou assistindo televisão, não fazia nada de mais. Como em todas as semanas, eu havia combinado de ir pra casa de Diego, meu melhor amigo, só que normalmente eu vou pra casa dele à tarde, porem nesse dia, por algum motivo desconhecido, eu resolvi ir à noite. Saí de casa sozinho, segui pela minha rua e virei à direita na Rua da Angustura, segui calmamente pela rua, passei por trás do Náutico até chegar na esquina com a Rua Manoel De Carvalho, onde há um edifício discreto, tão discreto que muitas pessoas passam por ele e nem percebem sua existência.

Fui abordado por um homem armado que me tomou a carteira e o celular. De repente, um zelador sai do prédio, e fala para o homem que me abordava, “Mas rapá, tu num tem jeito, devolve as coisas do cara”. O zelador então partiu para cima do assaltante. Após algum tempo o zelador correu em minha direção e em seguida devolveu os meus pertences.

O rapaz que me abordara gritou “Ta vendo, eu tinha assaltado e ido embora sem problemas, mas você resolveu se meter, me obriga a fazer isso...”. O assaltante virou a arma para mim e puxou o gatilho. Fui dominado por uma dormência no corpo, minha vista ficou preta, não via nada, a única coisa que eu sentia era um filete quente escorrendo pela testa, não sentia mais nada, percebi que minha consciência ainda estava ali. Tentei me mover e não consegui, uma agonia terrível me dominou e de repente minha consciência se foi, não conseguia nem pensar.

Acordei assustado e suado, o coração acelerado, e só então percebi que era um sonho, mas uma coisa que realmente me marcou nele foi que tudo havia sido absurdamente realista, e o que eu havia sentido tinha que ser real, nunca me senti tão ligado a um sonho e de uma coisa eu tenho certeza... Eu morri ali.

quarta-feira, 18 de março de 2009

O dia em que um gol valeu mais que uma vida

Último minuto de jogo. Placar de 1x0 para os donos da casa. Os visitantes vão ao ataque. O atacante está cara a cara com o goleiro, pode de ser o gol do empate. Vai marcar... PEI! Ouve-se um disparo vindo da torcida local. O atacante é atingido na cabeça e cai morto no momento em que poderia empatar a partida.

Esta história é verídica e aconteu esta semana no Iraque. O jogador do time amador Buhairat foi morto por um tocedor do time adversário, o Sinjar.

Fiquei indignado com esta notícia, não só como ser humano, mas como um amante do futebol e frequentador assíduo dos estádios, que teme pelos absurdos que possam vir a ocorrer. O futebol, como qualquer esporte, envolve alegrias e tristezas, vitórias e derrotas. E isso deve ser encarado naturalmente.

O gol é o momento mais importante do futebol. É na hora do gol que as emoções vêm à tona. É na hora do gol que deixamos escorrer as nossas lágrimas, tanto de alegria pelo gol marcado, quanto de tristeza pelo gol sofrido. Mas desta vez o choro foi pela dor da perda, não pela perda do gol, mas pela perda de uma vida, pela perda do valor da vida, pela perda do brilho do esporte.

O tiro do torcedor iraquiano pode ter significado a vitória, sem nenhum brilho, do seu time. Mas significou, principalmente, a derrota do esporte, a derrota da paz. Aquele tiro dado no Iraque não atingiu apenas o jogador do Buhairat. Atingiu, também o coração dos verdadeiros amantes da beleza do esporte. Atingiu o coração de toda pessoa de bem, que viu uma vez mais, a vida ser tratada de uma forma tão banal. Será que uma vida pode valer menos que um gol?

O que nos resta agora é torcer para que episódios lamentáveis como este não se repitam. E que consigamos ter mais paz no esporte e, principalmente, na vida.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Jeito de viver

Um dia, no meu quarto

Depois de uma semana

Que passou lentamente

Levando toda a esperança


Eu quero viver

Deixem-me viver

Chega dessas drogas

Só quero viver


Já cansei de esperar

Quero sair daqui já

Andar pelas ruas

Eu quero de novo ver o mar


Eu quero viver

Deixem-me viver

Desliguem essa máquina

Só quero viver


Assim está melhor

Deixei o meu quarto

Deixei a minha cama

Deixei o meu corpo


Consigo viver

Consigo voar

Cruzei a cidade

Voei sobre o mar.